Confesso que não me ligo muito em dia dos pais, das mães, das avós. Gosto mesmo é de aniversários, réveillons e comemorações espontâneas. Mas sempre é uma boa desculpa para fazer uma comidinha gostosa. Até porque comer fora, nessas datas, costuma ser meio mico e torna a ocasião ainda mais esquisita.
A Tatiana Szeles, do Boa Bistrô, fez um cardápio super especial para o próximo domingo e, generosa que é, nos deu uma das receitas. Se tiver preguiça de fazer, vá ao restaurante dela que é uma graça. A oferta da semana é boa: entrada, prato e sobremesa por R$ 80. Quem não curte as filas intermináveis dos momentos festivos, deve chegar cedo ou deixar a visita para outro dia.
Fettuccine com ragu de cordeiro ao perfume de hortelã
Por Tatiana Szeles, do Boa Bistrô

(4 porções)
400g de fettuccine
50ml de azeite
2 colheres de sopa de hortelã picado
Ragu
1kg de pescoço de cordeiro com osso
½ litro de vinho branco seco
2 cenouras
2 cebolas
1 talo de salsão
1 dente de alho
½ alho poro
1/3 maço de tomilho
1 Corte os legumes em cubos grandes. 2 Marine o pescoço com os legumes, tomilho e vinho branco por 12 horas. 3 Em uma frigideira bem quente, refogue o cordeiro já temperado com sal. 4 Acrescente os legumes e refogar por 10 minutos, sempre mexendo. 5 Adicione 2 litros de água e cozinhar por 2 horas em fogo baixo. 6 Retire o pescoço, separe a carne e descarteos ossos e legumes. 6 Reduza o caldo. 7 Sirva a massa em prato fundo, acrescente o cordeiro, salpique com hortelã eregue com um fio de azeite extra virgem.
Boa Bistrô
Rua Padre João Manuel, 950, Jardins, são Paulo, SP
tel. 11 3082-5709
Por Roberta Malta às 15h18
Eu tenho um caso de amor com Recife. Gosto da cultura, amo a comida, acho o povo uma delícia. Lembro bem de quando me senti irremediavelmente fisgada pelos encantos da cidade. Foi durante um engarrafamento digno de saída de escola paulistana. Eu, dentro de um taxi velho, no maior calor, sem ar condicionado, olhava as ruas cheias de fumaça e pensava: "que bom chegar aqui". Se isso não for amor, alguém, por favor, me diga o que é.
Chato é que, toda vez que vou para lá, quero repetir os restaurantes que adoro e visitar os que eu ainda não conheço -- mais ou menos como quando viajo para o Rio. Acontece que nunca tenho tanto tempo quanto gostaria e sempre deixo um desejo para trás.

A vendinha do Parraxaxá, que tem bufê de comida típica
Dessa vez foi assim: cheguei e fui correndo para o Tapioca, do Duca Lapenda, aberto há cinco meses. O Duca também é chef do Pomodoro Café, outro restaurante top em Recife, além de amigo querido. Mas prometi que só ia contar os detalhes na Prazeres da Mesa de setembro e furar a mim mesma não dá, né? Aguardem.
Depois, finalmente consegui conciliar a programação com um almoço no Wiella Bistrô. Quem toca as caçarolas de sotaque estrangeiro é Claudemir Barros, um craque. A mãe dele foi, durante a vida toda, chef do Leite, também em Recife, o restaurante mais antigo do Brasil. A mulher, Sofia Mota, comanda o charmoso Jalan Jalan. Parece que o talento é de família mesmo.
Foi Claudemir quem mostrou ao nordestino que existia a tal gastronomia molecular. Contam que ele fez a coisa com tanta suavidade que todo mundo assimilou a novidade quase que sem perceber. Uma espuma num prato consagrado aqui, uma esfera na receita conhecida ali e o povo, na época, se viu diante do supra-sumo da modernidade sem grandes choques.
Entrada e prato principal bastaram para vir a confirmação: ele é o máximo. Fim.

Haddock defumado com fettuccine de pupunha

Carré de cordeiro com risoto de cogumelo e pinoli
O jantar nesse dia foi no Ponte Nova, do Joca Pontes, que eu não me canso de visitar.

Pastel de carne seca

Berinjela com mascarpone e manteiga de sardinha

Bobó de lagosta

Arroz vermelho com camarão

Filé com batata chips e purê, com molho da avó do chef

Bolo de aipim, passa de caju e sorvete de doce de leite

O capuccino de frutas vermelhas que ele mesmo fez para mim
Um espetáculo em sete etapas. Eu brinco com Joca que ele provou ao mundo que não é só um rostinho bonito, mas é sério. O cara é sen-sa-cio-nal.
Ainda deu tempo de voltar ao Quina do Futuro, do Saburó, e conhecer o Parraxaxá. Na próxima vez, não me escapam: Just Madá, Thaal, Afonso & Anísio. Mais os de sempre, mais o Wiella, o Tapioca etc, etc, etc.
Jalan Jalan
Rua Desembargador João Paes, 4.510, Boa Viagem, Recife, PE
tel. 81 3325-2178
Leite
Praça Joaquim Nabuco, 147, Recife, Santo Antônio, PE
tel. 81 3224-7977
Parraxaxá
Avenida 17 de Agosto, 807, Casa Forte, Recife, PE
tel. 81 3268-4169
Pomodoro Café
Rua Capitão Rebelinho, 424, Pina, Recife,PE
tel. 81 3326-2217
Ponte Nova
Rua do Cupim, 17, Aflitos, Recife, PE
tel. 81 3327-7226
Quina do Futuro
Rua Xavier Marques, 134 ,Aflitos, Recife, PE
tel. 81 3241 9589
Tapioca Comedoria do Brasil
Rua Amazonas, 40, Pina, Recife, PE
tel. 81 3326-7195
Wiella Bistrô
Avenida Engenheiro Domingos Ferreira, 1274, lojas 13 a 16, Boa Viagem, Recife, PE
tel. 81 3463-3108
Por Roberta Malta às 01h12
Roberta Malta é jornalista de gastronomia e blogueira por vocação. Escreve nas revistas Prazeres da Mesa, Casa & Comida e algumas outras sempre sobre ingredientes, bebidas, restaurantes. Formou-se em gastronomia, estudou vinhos na ABS- SP, mas está em constante aprendizado e pretende dividir suas descobertas e dúvidas com todos que acessarem seu link.
O "Sopa de Letrinhas" é um observador bem humorado da gastronomia, com pitadas do dia-a-dia da autora. Serve também como agregador e mixer de pessoas. Tem um olhar empolgado, emocionado, frio, crítico, curioso sobre comidas, bebidas, novidades, livros, restaurantes ou um pouco de tudo. Divirta-se!