Blog da Roberta Malta

15/07/2010

Simples carinho

Há pelo menos dez anos eu não fico sozinha em casa, desde que o Tato nasceu. Claro, vez ou por outra ele vai dormir na casa de alguém ou viaja com o colégio, mas sempre é coisa rápida. Desta vez foi diferente. Ele está em outro país, longe e nem pelo telefone a gente conseguiu se falar.

Mas até isso tem o lado legal (não adianta, eu sou mesmo uma entusiasta inveterada da maternidade). Anteontem, ele me mandou o primeiro e-mail da vida. Eu gritava sozinha de felicidade quando recebi. Ele não dizia nada, óbvio. Mesmo assim foi demais.

As compras também são engraçadas. "A senhora não vai querer levar a Ruffles da promoção", me disse a moça das Lojas Americanas dia desses. "Brigada, meu filho viajou", respondi meio feliz meio triste. Ontem, eu fui ao Santa Luzia e trouxe 1 vidro de pimenta branca, 1 envelope de miski e duas latas de Campbell's. Só. Do mercado veio um pacote de cream cracker, queijo, brócolis, alho, batata e o mate que já acabou.

E nessa chuva, morrendo de frio e fome, eu achei que era possível ser feliz sozinha. Fiz um espagueti, abri o Dal Pizzol 35 anos que o seu Antônio me deu de presente, acendi o abajur e deixei o Donato no repeat.



Macarrão com brócolis

Cozinhe o macarrão e, enquanto isso, deixe o brócolis no vapor. Escorra ambos. Doure um pouco de alho no azeite, puxe o brócolis e acrescente o macarrão. Acerte o sal e sirva-se.

Durante o cozimento da pasta, tome um vinho que ache gostoso.


Ponha um disco bacana na vitrola e divirta-se

 

Por Roberta Malta às 02h31

14/07/2010

Papo de Salão

Tá, admito que não morri de amores pela gastronomia de Buenos Aires. Culpa da maldita expectativa, responsável por boa parte das frustrações da vida. Não que tenha comido mal, claro que não. Mas de 15 restaurantes visitados gostei de três e adorei só dois. Uma média bastante baixa para alguém de amores extremados, como eu.

Mas preciso dizer também que a cidade tem os melhores garçons que já conheci. Atenciosos, cultos, educados. Orgulhosos em bem servir, incríveis. 

Para eles minhas simpatia e gratidão. Minha nota legítima, os 100%. 

 

Maxi, do La Brigada

 

Gaston, do Cafe San Juan 

 

Jorge, do La Cabrera

 

Osaka

 

Marco, do Patagônia Sur

 

El Pobre Luis

 

Matias, do Cabaña las Lilas


Tegui

 

Tomo I

 

Wagner, do La Viñeria Gualterio

 

Perdoem pelos nomes que não lembro, foram os dias em que eu bebi um pouco mais.

 

Por Roberta Malta às 02h11

12/07/2010

Buenos Aires

Capítulo Dois cafés e a conta

Viajei com duas indicações de lugares incríveis onde servem chá da tarde. Confesso que não sou muito de fazer este tipo de programa, mas fui. Em ambos.

O Cafe Tortoni se auto compara ao parisiense Café de Flore, mas tem mais o jeito da Confeitaria Colombo, no Rio. Antigão, tradicional e mais imponente que o colega francês, tem cara de uma Argentina de antigamente, que a gente (eu!) não conheceu. O salão sempre cheio (fui lá duas vezes) tem barulhos de louça e conversa. O serviço é objetivo e cortês. É lindo.

 

 

O Salão L'Orangerie do Hotel Alvear é um retrato da classe média emergente. Tudo é suntuoso, opressivo, tudo brilha. Enquanto tomava meu chá, mulheres com peles belíssimas desfilavam pelo salão com seus bibelôs suas filhas. As meninas, com 6, 7, 8 anos, usavam vestidos de veludo preto com rendas brancas, meia calça, sapatinho de verniz com salto e tinham os cabelos presos num meio rabo por laçarotes engomados. As garçonetes usavam luvas finas e coletes de tapeçaria (sim, você leu isso!) e pareciam ter aplicado botox no rosto numa hora em que estavam sorrindo. Tinham o olhar morto, triste, escondido por detrás de algumas camadas de pancake e rímel. Cafona.

 

 

O chá completo do Alvear tem sanduichinhos, canapés e doces. Os primeiros tinham sabores tão sofisticados que escaparam à minha sensibilidade. Mas acho que eram de salmão defumado com cream cheese e mussarela de búfala com tomate seco. Também não consegui decifrar direito os recheios dos salgados. Mas acho que eram de salmão defumado com cream cheese e mussarela de búfala com tomate seco. As sobremesas eram doces demais. Pena.

 

 

O Tortoni tem cardápio à la carte. Os sanduiches de miga com queijo, tomate e presunto vieram crocantes e quentinhos. Os doces são os típicos churros, alfajores, panquecas. Não tem erro.

 

 

O chá-de-fava-de-baunilha-de-uma-ilha-perdida-no-Quênia-com-frutas-silvestres-do-pomar-colhidas-na-hora do Alvear estava delicioso. Chato só a prataria (limpíssima!) ficar muito quente e o paninho escorregar nas mãos. Me queimei, claro!

 

 

O capuccino do Cafe Tortoni estava simples e perfeito. Veio com um biscoitinho de chocolate engraçado e ruim, desses que dão em hospitais depois de exames que exigem jejum. A louça, à venda no restaurante, é bem comum, mas tem o logotipo antigo da casa. Comprei, claro!

 

 

No Tortoni eles entregam a nota fiscal da mesa junto com o pedido. No Alvear o troco veio com uma nota falsa de cinquenta pesos. Mas essa foi a parte mais divertida.

Hotel Alvear

Alvear, Av. 1891, Recoleta, Buenos Aires, Argentina, tel. 54 11 4808-2100

Cafe Tortoni

Avenida de Mayo, Av. 825, Centro, Buenos Aires, Argentina, tel. 54 11 4342-4328

Por Roberta Malta às 12h40

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Sobre o autor

Roberta Malta é jornalista de gastronomia e blogueira por vocação. Escreve nas revistas Prazeres da Mesa, Casa & Comida e algumas outras sempre sobre ingredientes, bebidas, restaurantes. Formou-se em gastronomia, estudou vinhos na ABS- SP, mas está em constante aprendizado e pretende dividir suas descobertas e dúvidas com todos que acessarem seu link.

Sobre o blog

O "Sopa de Letrinhas" é um observador bem humorado da gastronomia, com pitadas do dia-a-dia da autora. Serve também como agregador e mixer de pessoas. Tem um olhar empolgado, emocionado, frio, crítico, curioso sobre comidas, bebidas, novidades, livros, restaurantes ou um pouco de tudo. Divirta-se!

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