Blog da Roberta Malta

01/07/2010

Buenos Aires

Capítulo Um japa no meio do caminho

Antes de ir para Buenos Aires, fiz o de costume: reuni as dicas dos amigos que adoram comer, fucei tudo o que podia na internet e, depois, cruzei as listas. As opiniões muitas vezes batiam, mas eu me divertia mesmo quando elas eram opostas. Estes últimos restaurantes, os controversos, invariavelmente iam para o topo da minha relação.

Eu costumava mandar as declarações mais dramáticas para o Marcio meu tio, a pessoa que mais gosta de Buenos Aires que eu conheço. A gente achava graça. Teve uma hora em que ele me bem um basta: "Beta, acho melhor parar por aqui. Daqui a pouco vão começar a falar em custo X benefício", disse num torpedo insone às duas da madrugada.

Mas vamos ao que interessa. Nem sei por que decidi começar por aqui, talvez pela surpresa de comer um sashimi tão bom na Argentina.



O Osaka é uma casa nipo-peruana em Palermo, bairro onde está a maioria dos restaurantes bacaninhas (há outras unidades em Lima, Santiago dio Chile e logo abrirá uma no México). Eu tinha tentado ir no jantar, mas a moça que atendeu o telefone disse que só tinha reserva para dali a uma semana. Achei um sucesso e baixei lá no almoço do dia seguinte.

Verdade é que eu já estava em Buenos Aires há sete dias e um pouco enfastiada de tanta comilança. Já tinha provado um pouco de tudo, o japa foi uma tentativa de tiro certeiro. Pensei que um sushi, por pior que seja, nunca vai ser inferior ao do, sei lá, Sushi Papaya e eu estava precisando dessa comfort food.

Pois a grata surpresa dos que pouco esperam aconteceu. O peixe veio super bem cortado e fresco, gordo, grosso. Ainda arrisquei um ceviche de peixe branco bem bom e causas com tartare de salmão.



De lá, fui com Ric até a Casa Rosada celebrar nosso festival particular de salmão. Quando baixei as fotos no computador, percebi a semelhança quase poética entre meu prato de sashimi e a sede da presidência da República ao anoitecer. 

 



Esse dia tinha acertado todas. Para não estragar, nem jantei.


Osaka

Soler 5608, Palermo Hollywood, Buenos Aires, Argentina

tel. 54 11 4775-6964

www.osaka.com.pe

 

Por Roberta Malta às 16h06

29/06/2010

Impressões portenhas

Estou em Buenos Aires há uma semana fazendo pouco mais do que comer. Em viagens raramente escrevo posts "ao vivo", gosto de, antes, fazer a digestão. Não me lembro quem me disse que só podemos julgar uma refeição no dia seguinte. Talvez tenha sido o Arzak, não sei. Mas concordo. Comigo, pelo menos, funciona melhor assim.

Depois de quase uma dezena de restaurantes visitados, algumas fichas começam a cair. Não são verdades sobre a comida Argentina (socorro!), apenas algumas observações.

1 Em geral, os pratos chegam rápido demais à mesa. Não gosto disso. Fico sempre com a impressão de que foi aquecido no microondas. Em caso de refeições longas, não há respiro. Aí, vira uma mistureba louca de sabores.

2  Para comer bem não precisa ir longe. A maioria dos lugares tem, no mínimo, padrão ok.

3 Quem gosta da carne "ao ponto", deve pedi-la mal passada ou terá de se virar com um bife esturricado.

4 A gorjeta não é obrigatória MESMO. O garçom lhe será grato por qualquer trocado recebido.

5 A parrilla (o similar do nosso churrasco) pode ser comida em grandes quantidades, sem correr o risco de empanturrar. Acho que é por conta do sal fino usado no tempero da carne.

6 Levar o vinho que sobrou do jantar não é feio como no Brasil. Ao contrário, é absolutamente comum.

7 Alguns restaurantes mantém a porta trancada, mas estão abertos. Para entrar basta tocar a campanhia e esperar com calma (eles demoram um pouco para atender).

8 O couvert dificilmente tem manteiga. Pero no hay problema de pedir.

9 Garçons não vendem gato por lebre e sempre alertam o cliente quando consideram o pedido excessivo.

10 Papa é batata e batata é batata doce!

 

 

 

 

Por Roberta Malta às 01h37

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Sobre o autor

Roberta Malta é jornalista de gastronomia e blogueira por vocação. Escreve nas revistas Prazeres da Mesa, Casa & Comida e algumas outras sempre sobre ingredientes, bebidas, restaurantes. Formou-se em gastronomia, estudou vinhos na ABS- SP, mas está em constante aprendizado e pretende dividir suas descobertas e dúvidas com todos que acessarem seu link.

Sobre o blog

O "Sopa de Letrinhas" é um observador bem humorado da gastronomia, com pitadas do dia-a-dia da autora. Serve também como agregador e mixer de pessoas. Tem um olhar empolgado, emocionado, frio, crítico, curioso sobre comidas, bebidas, novidades, livros, restaurantes ou um pouco de tudo. Divirta-se!

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