Blog da Roberta Malta

30/04/2010

Cozinha Bossa Nova deu samba

Adoro festivais de gastronomia onde chefs cozinham juntos. Alguns encontros são perfeitos, outros nem tanto. Na cozinha, na música, nas artes dois bons não somam, necessariamente, um ótimo. 

Mas, às vezes, acontecem encontros mais que perfeitos. Nestas ocasiões, a troca é nítida: o traço de um aparece no prato, na música, na obra do outro.

Tom e Vinícius é o melhor exemplo disso, para mim. Ou Chico e Caetano no (ex) programa deles, meu eterno Troféu Imprensa.

Na 1a. edição do Cozinha Bossa Nova, terça passada, Rafael Despirite, o dono da casa e idealizador do projeto inspirado num texto do Josimar -- leia aqui, o e Rodrigo Oliveira, do Mocotó, pilotaram o mesmo fogão, no Marcel. A dupla ainda contou com o auxílio luxuosíssimo de Wanderson Medeiros e Julien Mercier. Apenas.

A noite começou com foie gras e uvas geladas.


 


O  fígado estava morno, macio, uniforme. Envolvido numa crosta muito fininha. O caramelo transparente envolvia a uva quase congelada. Um sonho!

Depois, as vieiras doces com casquinha crocante. Exatamente como no desenho do primeiro prato, só que com o jeito do Rodrigo.


  


O melado era de amendoim, as raspinhas de coco.

O pargo veio com emulsão dele mesmo. Parecia um creme, só que mais saboroso, uma maionese leve.


 

Lembrei do Mugaritz, Rafael ter deve aprendido isso em sua temporada espanhola, em fins do ano passado.

Fui até a cozinha fazer a foto do prato seguinte. O dono do Mocotó falou: "vai comer o escondidinho agora? Boa sorte".



Tinha o perfume do sertão, de manteiga de garrafa e queijo. O recheio de galinha d'Angola era de uma delicadeza inacreditável. Sorte mesmo.

Aí, veio a carne de sol com baião de dois cremoso e maxixe.



Parecia um rosbife, mas com aquele gosto típico da carne secada ao sol. O maxixe, meio japa, veio geladinho, salgado, crocante. 

O prato de queijos foi a pré- sobremesa.



O melado entrou por engano na foto. Requeijão do Norte e coalho se bastaram: secos, firmes, mas úmidos por dentro. Tão franceses e tão brasileiros.

Antes dos falsos fios de ovos cor de amarelo ouro, o chef herdeiro dos suflês mais famosos de São Paulo, trouxe o queijo que ele tinha acabado de curar. Comi com tanta vontade que me esqueci da foto.

Os fios.



Adivinhei logo: manga! Mas só porque eu sabia que o Rafael tinha criado essa receita. O doce mais refrescante do mundo, divino.

A cartola gourmet com sorvete de rapadura fechou a noite. Gala! 



Deu vontade de aplaudir de pé, juro. Um jantar perfeito, irretocável. Admirável mesmo.

Conheço a cozinha solo de ambos, adoro. Mas juntos os moços se afirmaram, se renovaram. Sem ninguém precisar se impor, sem precisar se anular. 

Quem fizer dupla com o Rafael na segunda edição do Cozinha Bossa Nova vai ter que manter o (altíssimo) nível.

Vem aí: Joca Pontes, pernambucano arretado do Ponte Nova, em Recife. Viva!


Por Roberta Malta às 01h53

27/04/2010

O verdadeiro finger food

 

Mais imagens aqui.

 

Por Roberta Malta às 15h11

26/04/2010

Os sorvetes do Arthur

Arthur Sauer é profissional preparado: estudou hotelaria na Bélgica, gastronomia no instituto Paul Bocuse, em Lyon, trabalhou com Daniel Boulud, em Nova Iorque. No ano passado, abriu o Roux Bistrô.

A proposta é servir comida caseira nos Jardins, a preços acessíveis. Mas, sinto informar, é na ousadia que o chef brilha absoluto.

Jantei lá com amigos e a degustação de sorvetes artesanais arrebatou a todos.

 

 

De gorgonzola, alecrim, coco queimado. Sem conservantes, nem espessantes. O de brigadeiro, quase sempre o último sabor a me cativar, me fez viajar no tempo. É feito do doce perfeito, bem raro de se encontrar por aí.

Pedi mais e vieram gelados de cardamomo, chocolate branco. A Ale quis experimentar o de baunilha e ele trouxe um fresquíssimo, ainda um pouco mole, com o cheiro irresistível da fava marrom escura. Tinha sido feito meia hora antes e parecia um creme fresco, aveludado ou aquela manteiga macia que os americanos comem com panquecas.

Fiquei sabendo que o restaurante pretende servir, em breve, chás da tarde. Adorei a ideia. O pão feito lá também é muito bom, o programa só pode dar certo.

Enquanto a novidade não entra no circuito, aproveite essas gostosuras do Roux a qualquer hora do dia.

 

Roux Bistrô 

Al. Min. Rocha Azevedo, 1.101, Cerqueira César, São Paulo, SP

tel. 11 3062-3452

 

Por Roberta Malta às 00h06

Ir para UOL - Receitas

Sobre o autor

Roberta Malta é jornalista de gastronomia e blogueira por vocação. Escreve nas revistas Prazeres da Mesa, Casa & Comida e algumas outras sempre sobre ingredientes, bebidas, restaurantes. Formou-se em gastronomia, estudou vinhos na ABS- SP, mas está em constante aprendizado e pretende dividir suas descobertas e dúvidas com todos que acessarem seu link.

Sobre o blog

O "Sopa de Letrinhas" é um observador bem humorado da gastronomia, com pitadas do dia-a-dia da autora. Serve também como agregador e mixer de pessoas. Tem um olhar empolgado, emocionado, frio, crítico, curioso sobre comidas, bebidas, novidades, livros, restaurantes ou um pouco de tudo. Divirta-se!

Histórico

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.
Hospedagem: UOL Host