Blog da Roberta Malta

16/04/2010

Comida brasileira de quimono

"Quinta-feira abre o japa-brazuca Banana Sushi em SP. No menu, atum com galete de tapioca, pesto de shissô e pimenta-biquinho."

Quando li isso no Twitter fiquei bem apavorada. Imaginei mais uma (con)fusion daquela gente moderna que, como costuma dizer Sônia Fróes aos brados, mistura peito de frango com tamarindo.

Como estava com saudade do Kike, topei o programa.

Na segunda entradinha entendi a proposta da casa: comida brasileira com roupagem oriental. O garçom confirmou e segui adiante.

 

Canapé trilogia de peixes (R$ 21)

 

 Guioza vegetariano de shitake, verdurinhas e abóbora (R$ 19)

 

Achei que o guioza era feito com a massa do nosso pastel de feira, o maître negou. Foi a primeira vez que percebi a semelhança entre as duas massas fritas. Continuei.

 

Harumaki de moquequinha de camarão (R$ 21)

 

Missôtacá -- redução de tucupi, camarão e jambu (R$ 17)

 

Mais estes dois pratos e desisti de analisar ou entender qualquer coisa. Estava delicioso e, para mim, é o que basta. Sempre.

 

 

Shimeji na manteiga de garrafa (R$ 25)

 

Carpaccio de polvo (R$ 25)

 

A noite estava ganha, relaxei total. Vi as fotos do Junior e da Ale dançando no meu aniversário, opinei sobre educação infantil, combinei uma noitada de drinks no Pandoro. 

Não tem erro: quando a comida está boa, a conversa corre solta. Ninguém fica prestando atenção no prato para tirar conclusões, entender deslizes, desvendar procedimentos culinários. À sobremesa.

 

Guioza de pera com sorvete de tapioca e coco fresco (R$ 13)

 

Ainda comemos sushis honestos e um salmão cujo purê de banana mascarava o sabor do peixe. O quê me fez pensar que a vocação do restaurante é realmente a de investir nos rolinhos sequinhos e cheios de sabor, na brasilidade que os cogumelos podem ter, na ótima combinação de polvo com pimenta biquinho.

Alguns vão achar a cozinha do Banana Sushi desrespeitosa à cultura japonesa, com alguma razão. Da mesma forma que é heresia comer sushi de pauzinho, temaki com cream chesse, molhar o bolinho de arroz no shoyu...

Ou não.

Banana Sushi

R. Joaquim Antunes, 234, J. Paulistano, São Paulo, SP

tel. 11 3061-2312

 

Por Roberta Malta às 01h46

14/04/2010

Batata brava versão Michelin

Imagino que a maioria das pessoas escolha o que vai comer, num restaurante, com os olhos (e o estômago) voltados para o elemento principal do prato. Eu, não. Muitas vezes, presto até mais atenção nos acompanhamentos.

E gosto que eles sejam triviais. Em receitas temperadas prefiro arroz branco soltinho, para sabores discretos vale uma graça a mais.

Mas batatas são sempre minha primeira opção. Esfericadas, douradas, assadas. E quando morro de saudades do filé do Lamas, não é só da carne que sinto falta. Sonho também com a batata cozida, carnuda e macia, que completa o prato.

Ontem, voltei ao Arola-Vintetres, com a Ale. Estávamos precisando botar o assunto em dia e uma comidinha espanhola nos pareceu perfeita -- de quebra, matamos a saudade de nossas andanças mundo afora (ai, que chique!).

O chef, o espanhol Sergi Arola, três estrelas madrilenhas Michelin e restaurantes em Barcelona e Sintra, perguntou se podia escolher o menu. Topamos, mas com uma exigência: que batatas bravas (a tapa mais tradicional da Catalunha) não faltassem. E assim foi.



Comemos também ótimos raviólis de rabada, as linguiças de vieiras que o Kats adorou, asinhas de frango tipo passarinho com vinagrete ardido de tomate. Tudo gostoso, quente, cheiroso. Mas as batatas não saíram da minha cabeça.

Na saída, não resisti e pedi a receita. É bem fácil, mas tem suas manhas. Além de utensílios de última geração, como toda moderna cozinha espanhola. 


Batatas bravas

por Sergi Arola

1 Corte as batatas com um extrator de polpa de maçã.


2 Cave o centro de cada uma com um descaroçador de azeitonas.


3 Leve-as ao forno a 80o. imersas em azeite por 1h30. 4 Frite em azeite bem quente. 5 Recheie com molho feito de maionese, alho e pimenta dedo-de-moça. Tudo a gosto.

 

Arola Vintetres

Alameda Santos, 1437 - 23º andar do Tivoli São Paulo - Morrafej -SP

tel. 11 3146-5900


Por Roberta Malta às 00h10

12/04/2010

Bem-casado: nova moda?

Eu adoro festa de aniversário. Gosto de todas as etapas da produção, de pensar na cara que quero para a ocasião, no jeito do salão, nos convidados. Não deixo escapar um detalhe, difícil dar errado.

O caminho é fácil e simples: atenção à escolha de horário e dia da semana, que sempre deve combinar com o cardápio de comes e bebes; trilha sonora e local adequados aos itens acima; cuidado com os detalhes, sempre.

Docinhos de aniversário de criança e bolas de encher combinam com qualquer modelo de festa, basta inseri-los no conjunto.

Uma das minhas descobertas paulistas mais felizes é o bem-casado, que eu pouco via quando morava no Rio. Não sei porquê, mas não é hábito carioca distribuir o pão-de-ló-com-doce-de-leite-embrulhado nos casórios -- ou será que, no Rio, as pessoas se casam menos?

(Minha avó tem certeza absoluta de que eu só arranjei marido porque vim morar em São Paulo. A teoria dela é bem razoável: no Rio o pessoal prefere ficar solteiro, tem praia.)

Pois adotei o bolinho para festas em geral. Acho o tipo de doce perfeito: lindo, delicioso, colorido. Orna em qualquer ocasião e ainda é poético, acho.

Esses dias, meu aniversário, encomendei o da Emilia (R$ 1,70 a unidade), que descobri em pesquisas na internet. Veio fresquinho, leve e pouco açucarado. E a massa úmida, fofa.


 Com embrulho e laço impecáveis, luxo!


Escolhi as cores do crepom e da fita num web programa da própria confeitaria, aqui. Uma coisa besta, mas super útil.

Aderi! E explorei todo o potencial do doce: comi, enfeitei a mesa, mandei para a D. Elza pelo elevador e de Webjet, num tupperware, para a Nanda e o Jorge. 

Depois, soube que serviram o mesmo na casa de amigos, na mesma semana. Sucesso!

Meu único medo é virar modinha e eu, arroz de festa.

 

Emilia bem-casados

Show-Room: Rua Cunha Gago, 625, Pinheiros, São Paulo, SP

tel. 11 3815-8564

 

Por Roberta Malta às 23h53

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Sobre o autor

Roberta Malta é jornalista de gastronomia e blogueira por vocação. Escreve nas revistas Prazeres da Mesa, Casa & Comida e algumas outras sempre sobre ingredientes, bebidas, restaurantes. Formou-se em gastronomia, estudou vinhos na ABS- SP, mas está em constante aprendizado e pretende dividir suas descobertas e dúvidas com todos que acessarem seu link.

Sobre o blog

O "Sopa de Letrinhas" é um observador bem humorado da gastronomia, com pitadas do dia-a-dia da autora. Serve também como agregador e mixer de pessoas. Tem um olhar empolgado, emocionado, frio, crítico, curioso sobre comidas, bebidas, novidades, livros, restaurantes ou um pouco de tudo. Divirta-se!

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