Blog da Roberta Malta

01/04/2010

"Vamos em frente que o negócio é passar bem"

A lendária frase do Saul Galvão me veio à cabeça assim que li o seguinte comentário de um leitor, no meu último post:

Eu a acompanho desde o JB e ultimamente fazendo uma análise mais crítica de blogs de gastronomia, venho percebendo que minhas sensações em visitas a restaurantes não concordam com as percepções dos "críticos", e me vem a dúvida sobre até que ponto vai a imparcialidade e onde ela termina. Por isso, como curiosidade, pergunto: Qdo vcs visitam um restaurante, é de forma anônima? paga-se a conta? A impressão que tenho é que tudo é uma festa, onde pra ser aceito precisa-se falar bem incondicionalmente, pelo menos daqueles bem relacionados. Queria sua opinião sobre a (im)parcialidade dos blogs de gastronomia. Kenzo. 

Esta dúvida não é só do Kenzo, o assunto é bastante recorrente. Por isso, achei de bom tom abrir o debate. Mas atenção: falarei sobre este blog, o meu blog. Não me compete avaliar o tema de maneira geral, certo?  Vamos em frente.

Escrevo aqui para compartilhar impressões, experiências. Não pretendo ditar regras, nem forjar verdades. Falo sobre o que gosto, me interessa, vejo e de como estas coisas permeiam a minha vida. Sempre de maneira pessoal.

Bem diferente de quando trabalho para revistas e jornais, onde empresto meu olhar e conhecimento a textos exclusivamente informativos, isentos de opinião – estes sim imparciais. E disso não abro mão, mesmo que, às vezes, conquiste desafetos. É chato, mas faz parte do jogo.

É importante chamar a atenção para um fato: não sou crítica de gastronomia. Sou jornalista na área e tenho um blog sobre o assunto. Só isso.

(Muitas vezes me pergunto se a cozinha, assim como a arte, deve ser oficialmente avaliada, uma vez que oferece experiências extremamente pessoais, únicas. Ainda não encontrei essa resposta.)

Pagar a conta é outra questão. Muitas vezes aceito convites, sim. E posso garantir que isto não interfere em absolutamente nada do que escrevo aqui. Faço posts sempre em primeira pessoa, convenhamos que fica mais difícil mentir. A política que adoto é a de, salvo exceções extremas, calar sobre o que não me agrada, independente de ter sido convidada ou não. E me sinto à vontade desta maneira.

Faço assim porque conheço a rotina insana de uma cozinha profissional, já estive em algumas delas. Também considero que há dias em que as coisas não funcionam direito mesmo, acontece. E, ainda, a menos que meu trabalho exija, geralmente não volto a lugares onde não comi bem. Por tudo isso acho que seria leviano de minha parte esculhambar restaurantes ou chefs. Se alguém pedir minha opinião, terá. Caso contrário, prefiro ficar na minha.

Uma última coisa é que não ganho para ter um blog, nunca ganhei. Escrevo aqui porque me divirto. Gosto da interação, da conversa, de ouvir pontos de vista e histórias. E porque falo pelos cotovelos, preciso dar vazão a tanto assunto! No mais, isto é só uma página na internet sobre meu tema favorito.

Salve Saul! 

Por Roberta Malta às 20h14

30/03/2010

Comidas e lembranças

Se inferno astral existe não sei, mas é fato que eu ando um tanto melancólica, introspectiva, jururu. Assim como é certo que faltam poucos dias para eu cortar o primeiro pedaço do bolo de baixo para cima e fazer um pedido de realização improvável. Quando fico desse jeito, revejo o filme da minha vida editado com os melhores momentos.

A primeira lembrança que tenho é sempre da minha avó. Ela não gostava nada de cozinhar, mas fazia o melhor bolo de banana do mundo, o melhor brigadeiro, o melhor molho de cachorro quente.

Eu já era bem grandinha e ela ainda me botava para dormir contando histórias de quando era pequena até eu pegar no sono. Antes disso, lavava meus pés na cama com uma esponjinha que fazia com aquele sacos de batata amarelos, sabão e água.

Na casa dela comia tudo que minha mãe proibia e tomava refrigerante durante a semana. Que delícia era misturar leite Ninho e Nescau com um pingo de água e devorar de colherinha.

Sempre penso na vovó quando como no Santa Madalena. Não que a Lúcia Sequerra faça os mesmos pratos ou use os temperos que ela gostava. Não, a Lúcia cozinha bem melhor que ela. Mas é o tomatinho cortado, a louça antiga, os vidros com licor. 

Esses dias almocei lá. Salada de alface, bacalhoada e brigadeiro de maracujá por R$ 21.




 

No fim, madeleines de figo, um clássico da casa. 



Fez falta só o suco de laranja coado e o Nescafé batido que a gente chamava de laminha. De resto, até o cheiro de jasmim eu senti.


Santa Madalena

Rua Santa Madalena, 27, Bela Vista, São Paulo, SP.

tel. 11 3287-6999


Por Roberta Malta às 14h26

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Sobre o autor

Roberta Malta é jornalista de gastronomia e blogueira por vocação. Escreve nas revistas Prazeres da Mesa, Casa & Comida e algumas outras sempre sobre ingredientes, bebidas, restaurantes. Formou-se em gastronomia, estudou vinhos na ABS- SP, mas está em constante aprendizado e pretende dividir suas descobertas e dúvidas com todos que acessarem seu link.

Sobre o blog

O "Sopa de Letrinhas" é um observador bem humorado da gastronomia, com pitadas do dia-a-dia da autora. Serve também como agregador e mixer de pessoas. Tem um olhar empolgado, emocionado, frio, crítico, curioso sobre comidas, bebidas, novidades, livros, restaurantes ou um pouco de tudo. Divirta-se!

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