Blog da Roberta Malta

24/03/2010

A cara do Brasil

O assunto deste ano, na gastronomia, é sustentabilidade. Foi o tema do Madrid Fusión, vai ser o do Mesa Tendências. Acabou de acontecer em Brasília o Terra Madre, encontro de sócios e simpatizantes do Slow Food -- associação ecogastronômica pela alimentação consciente e responsável --, onde o tema foi amplamente discutido.

Carlo Petrini, italiano fundador do movimento, veio para o congresso e estive num encontro, no Julia Gastronomia, que o Slow Food Brasil fez para ele. 

Não vou falar aqui sobre a associação anti-fast food, tem gente melhor do que eu para discorrer sobre o assunto. Mas quero contar sobre algumas coisinhas que provei na reunião.


Pão de Biomassa com Caponata de Banana Verde


Escondidinho de "Casca Lôca"


Casa de banana, minha gente! Um ingrediente tão improvável quanto delicioso. Mesmo! Nada daquelas coisas de gosto estranho, que a gente acaba tolerando porque é considerado um subproduto. 

Quem "descobriu" (ou revelou, ou percebeu) seu potencial gastronômico foi a Cláudia Mattos, chef do Zym Café -- um lugar bacana, na Lapa, que tem Yoga, Day SPA, cursos e um restaurante de comida natural. Quero conhecer. 

Outra coisa que adorei foi o suco de grumixama. A fruta, chamada de cereja brasileira, é cultivada em Paraibuna, pertinho de São Paulo, no Sítio do Bello

O Douglas, dono de lá, me contou que muitas dessas frutas, para nós, exóticas, são conhecidas e festejadas fora do Brasil. Incrível!

Vi um folder cheio destes produtos "desconhecidos" e tem coisas que eu nem nunca ouvi falar. Fiquei com vontade de experimentar tudo! Aliás, desde que comi, em Brasília, o sorvete de massa de uma fruta do cerrado, só penso nisso.

Mas essa parte eu só posso contar quando sair a Prazeres da Mesa de abril. Me cobrem.

Por Roberta Malta às 23h05

22/03/2010

O cheiro doce da Amazônia

Adoro cheiro de comida gostosa. Ligo mais para isso do que para a aparência, muito mais.

Já deixei pratos inteiros em restaurantes por não gostar do cheiro de algum ingrediente. Eu juro que percebo quando a comida vai ficar azeda, o óleo foi usado duas vezes, a carne estava congelada. 

Também me lembro de pessoas ou lugares pelo cheiro. Lembro do Tato pequeno com cheiro de bolo de laranja e do meu pai quando alguém acende um charuto por perto. Cheiro de pão assando me lembra a casa da Vó Rosa, que mora em cima da padaria. Do Ric eu lembro quanto sinto cheiro salgado de uísque sem gelo.

Esse fim de semana o Kats reuniu a turma na casa real para um almoço preparado por ele, com ingredientes fresquíssimos que trouxe de Belém.

 

 

A comilança começou com um tacacá incrível, servido em cuias de madeira e cestinhas de palha.

 

 

A boca ficou inteira anestesiada por causa das folhas de jambu. É uma sensação que adoro, todo mundo deveria experimentar.

Depois, o plat du résistance nipo-parauara criado na hora, pura inspiração (veja receita abaixo).

 

 

O peixe (filhote), suculento e hidratado, tinha cheiro de água de rio. O arroz com jambu e alho doce, eletrizava. A farofa, cheiro de manteiga quente, era crocante, soltinha e o pirão de tucupi cremoso.

De sobremesa teve o bolo que a gente aprendeu no Teacher & Diner, de chocolate amargo, com um creme de capuaçu que enchia a boca -- feito da polpa da fruta e creme de leite batido. Casamento perfeito!

 

 

Os meninos foram embora e a casa ficou perfumada até a manhã seguinte. Um cheiro discreto, uniforme, quase doce, de floresta e água do rio. O mesmo do cumaru que tinha em raspas por cima do creme, da caipirinha de priprioca do Dalva e Dito, do tucupi. Cheiro de comida amazônica.

Peixe com crosta de castanha e jambu
por Marcelo Katsuki

1 Tempere um kg de filhote (ou outro peixe em filés, sem espinhas) com sal, pimenta do reino e suco de um limão.

2 Sele os filés nos dois lados em uma frigideira com um pouco de azeite e reserve.

3 Faça uma farofinha com 2 pães ralados (pão francês dormido), 100 g de castanha do Pará, 1 xíc. de coentro picado, 1 xíc. da jambu picado, raspas de 2 limões (Tahiti ou cravo), 1 colher de sopa de manteiga, 2 colheres de azeite, sal e pimenta do reino. Misture com as mãos.

4 Espalhe um pouco da farofa na assadeira. Disponha os filés e cubra com o restante da farofa. Asse em forno bem quente por 10 min, até a crosta ficar crocante.

5 Sirva com arroz.

 

Por Roberta Malta às 16h21

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Sobre o autor

Roberta Malta é jornalista de gastronomia e blogueira por vocação. Escreve nas revistas Prazeres da Mesa, Casa & Comida e algumas outras sempre sobre ingredientes, bebidas, restaurantes. Formou-se em gastronomia, estudou vinhos na ABS- SP, mas está em constante aprendizado e pretende dividir suas descobertas e dúvidas com todos que acessarem seu link.

Sobre o blog

O "Sopa de Letrinhas" é um observador bem humorado da gastronomia, com pitadas do dia-a-dia da autora. Serve também como agregador e mixer de pessoas. Tem um olhar empolgado, emocionado, frio, crítico, curioso sobre comidas, bebidas, novidades, livros, restaurantes ou um pouco de tudo. Divirta-se!

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