Na manhã seguinte, pegamos o trem Paris-Lyon-Roanne com uma muda de roupa na bolsa. Chegamos à cidadezinha morrendo de felicidade. Parecia que todo mundo estava nos esperando. Entramos no hotel e a concierge sorriu. "Madame Maltá", disse ela. "Oui, c'est moi."

Corremos para conhecer o centro de Roanne. No empório gourmet, enquanto enchíamos as cestas com latas de foie gras a 3 euros, fomos abordadas: "vocês são brasileiras"? Confirmamos e o simpático moço continuou: "são as jornalistas amigas do Claude"? A gente não acreditou. E, para o dia ficar perfeito, quando saímos da loja, começou a nevar fininho. Os efeitos especiais que encomendamos para o jantar no nosso primeiro três estrelas não tinham falhado.



Como não havíamos almoçado, sentamos numa mesa dentro do mercado de frutas. Compramos pão, manteiga, queijos e pedimos taças de vinho. Comemos de frente para as bandejas de legumes e escargots, com diálogos em francês baixinho como som ambiente.




Fim do dia e, finalmente, a Maison Troisgros. A esta altura eu já tinha que ter trocado de idioma, mas misturava espanhol, francês e inglês. Michel Troisgros, filho do Pierre e irmão do Claude, fazia esforço para me entender e achava graça. Perguntou que língua eu falava, afinal. Respondi que arranhava o português. A gente fez uma miscelânea danada, mas se entendeu. Acho.

Depois do drink com sauterne, suco de framboesa e raspas de laranja -- acompanhado de tomates caramelados, biscoitos com sardinha e croquetes de trufa -- fomos visitar a cozinha. É grande, silenciosa. A equipe trabalha com concentração absurda, mas rostos relaxados.



Michel é a cara do Claude e boa praça como ele. A diferença é que um é francês, o outro, mais do que brasileiro, é carioca. Isso muda tudo.



O menu degustação que pedimos é perfeito. Custa 195 euros e vale por uma vida.


  

   

 

  

 




Durante o jantar, o chef nos visitou várias vezes. Quando eu perguntei se alguma daquelas receitas era do Pierre, ele disse que ia mandar um prato do pai para a gente experimentar.


Veio este salmão com azedinha, de comer rezando


Fomos embora em silêncio, com a neve batendo no nosso rosto. Combinamos de voltar para o café da manhã, mas não conseguimos. Queríamos prolongar aquele momento pelo maior tempo possível. Mandei um torpedo cheio de exclamações para a Martinha. Ela me perguntou que nota eu dava pro restaurante e respondi: 3 estrelas Michelin. É isso.

Continua...






Maison Troisgros

Place de la Gare 42300, Roanne, França

tel. 04 77 71 66 97