Blog da Roberta Malta

09/02/2010

De volta a Paris

Na volta para Paris, estávamos tão encantadas com aquilo tudo que tentamos uma reserva no Paul Bocuse, outro três estrelas da época da nouvelle cuisine. A casa onde fica o restaurante dele é linda e bem perto da estação Part Dieu, em Lyon, onde trocamos de trem.

Não deu certo, o almoço estava lotado. Minha voz fininha em francês mal falado não fizeram efeito algum. E a senha "Maltá" já não funcionava mais. A saída foi croissant com café no terminal para nos lembrar que a vida nem sempre é perfeita.

O jantar tinha endereço certo: o L'Avant Comptoir.

 

 

Versão francesa dos bares de tapas espanhóis, o concorrido balcão serve pequenas porções assinadas por Yves Candeborger, um dos caras que começou com essa onda de bistronomia -- pratos elaborados com ambiente e preços de bistrô. Fica grudado no Le Comptoir du Relais, o delicioso restaurante no coração de Saint Germain do mesmo chef.

 

 

 

A Alline já tinha descoberto que o grande lance da casa é perguntar o que tem no dia e não está no cardápio. Pedimos uma garrafa dupla de vinho e começamos a farrinha.

 

As croquetas de jamón

 

O pão com carne louca e chantilly

 

O atum selado e cru por dentro

 

O porco

 

A cozinha tem uma janela para a rua, que funciona como creperia para os passantes. Adoro essas bancas de Paris. Pedi o meu predileto, de Grand Marnier, e devorei com gosto.

Com saudade da noite que não pode viver no Madrid Fusión, a de bares, Ale sugeriu uma movida. A noite acabou no Deux Magots com taças de sauterne e macarons com framboesas do Pierre Hermé.

 

 

Mais uma passada na vendinha para os vinhos da conversa na sala. Até bem tarde, até cair de sono.

Continua...

 

L'Avant Comptoir

3 Carrefour de l'Odéon, 75006 Paris, França

tel. +33 01 41 01 01 01

Les Deux Magots 

6, Place Saint Germain Des Près, 75006, Paris, França
tel. +33 01 45 48 55 25

Por Roberta Malta às 17h07

08/02/2010

O primeiro Michelin a gente nunca esquece


Na manhã seguinte, pegamos o trem Paris-Lyon-Roanne com uma muda de roupa na bolsa. Chegamos à cidadezinha morrendo de felicidade. Parecia que todo mundo estava nos esperando. Entramos no hotel e a concierge sorriu. "Madame Maltá", disse ela. "Oui, c'est moi."

Corremos para conhecer o centro de Roanne. No empório gourmet, enquanto enchíamos as cestas com latas de foie gras a 3 euros, fomos abordadas: "vocês são brasileiras"? Confirmamos e o simpático moço continuou: "são as jornalistas amigas do Claude"? A gente não acreditou. E, para o dia ficar perfeito, quando saímos da loja, começou a nevar fininho. Os efeitos especiais que encomendamos para o jantar no nosso primeiro três estrelas não tinham falhado.



Como não havíamos almoçado, sentamos numa mesa dentro do mercado de frutas. Compramos pão, manteiga, queijos e pedimos taças de vinho. Comemos de frente para as bandejas de legumes e escargots, com diálogos em francês baixinho como som ambiente.




Fim do dia e, finalmente, a Maison Troisgros. A esta altura eu já tinha que ter trocado de idioma, mas misturava espanhol, francês e inglês. Michel Troisgros, filho do Pierre e irmão do Claude, fazia esforço para me entender e achava graça. Perguntou que língua eu falava, afinal. Respondi que arranhava o português. A gente fez uma miscelânea danada, mas se entendeu. Acho.

Depois do drink com sauterne, suco de framboesa e raspas de laranja -- acompanhado de tomates caramelados, biscoitos com sardinha e croquetes de trufa -- fomos visitar a cozinha. É grande, silenciosa. A equipe trabalha com concentração absurda, mas rostos relaxados.



Michel é a cara do Claude e boa praça como ele. A diferença é que um é francês, o outro, mais do que brasileiro, é carioca. Isso muda tudo.



O menu degustação que pedimos é perfeito. Custa 195 euros e vale por uma vida.


  

   

 

  

 




Durante o jantar, o chef nos visitou várias vezes. Quando eu perguntei se alguma daquelas receitas era do Pierre, ele disse que ia mandar um prato do pai para a gente experimentar.


Veio este salmão com azedinha, de comer rezando


Fomos embora em silêncio, com a neve batendo no nosso rosto. Combinamos de voltar para o café da manhã, mas não conseguimos. Queríamos prolongar aquele momento pelo maior tempo possível. Mandei um torpedo cheio de exclamações para a Martinha. Ela me perguntou que nota eu dava pro restaurante e respondi: 3 estrelas Michelin. É isso.

Continua...






Maison Troisgros

Place de la Gare 42300, Roanne, França

tel. 04 77 71 66 97

 

Por Roberta Malta às 16h40

06/02/2010

Conexão Paris

Do Madrid Fusión, eu e Ale seguimos viagem com um único objetivo: comer. Depois de dois dias de jejum forçado por conta da intoxicação alimentar, que teve depois de um longa noite de tapas, minha amiga estava com apetite suficiente para cumprir nosso programa. E eu, como sempre, empolgada com tudo: novidades, receitas, restaurantes.

Nosso primeiro destino foi Paris. Usamos a conexão a Roanne como desculpa para brioches e compras. Alline, incansável e jovem, nos abrigou no charmoso apartamento do Marais. Como se não bastassem as madrugadas de vinhos, a moça ainda é casada com Rafael Protti, sous-chef patissier do La Table de Robuchon. Nossas noites terminavam sempre com tortas de chocolate, castanhas e frutas trazidas pelo rapaz.


Ele sempre pedia desculpas pela falta de decoração, pode?


Depois de esferas, palomas e presuntos, me joguei na gastronomia francesa. Para matar a fome da viagem de avião comecei minha temporada parisiense devorando um belíssimo cachorro quente com mostarda e cebolas caramelizadas.

 

Ale e Alline

A Pat's é um sucesso. Uma portinha minúscula numa esquina do Marais. Tem que entrar na fila para merecer o sanduba, mas vale muito.

A primeira refeição que fizemos foi bem francesa, no bistrô L'Epi Dupin. O menu de 33 euros, com quatro ou cinco opções de entrada, prato e sobremesa, é a única pedida da casa. O que me fez observar que Restaurante Week, com precinhos europeus, é uma realidade na cidade luz.

Ataquei de croustillant de joue de boeuf et glace a la moutarde, noix de saint jacques poêlée, poireaux cretteuxet emulsion de gingembre e poire rôtie au safran et glace au chocolat blanc. 

 

Com sorvete de mostarda Dijon!!


Creminho digno de molhar no pão para raspar o prato!

 

Increible!

Na volta, paramos na vendinha e compramos vinhos para continuar as conversas sem fim. Rimos a madrugada inteira e caímos de sono no sofá da sala. 

 

Continua...

 

Restaurant L'Épi Dupin 

11, rue Dupin - 75006 PARIS
Tel. 01 42 22 64 56 

 

Categoria: Passaporte

Por Roberta Malta às 19h36

27/01/2010

Madrid Fusión

As novidades pipocam por aqui. Adrià devolve as estrelas Michelin, Ducasse diz que a concorrência na Espanha é grande demais para ele, Yoshihiro Narisawa faz sopa de terra.


Michel Troisgros dando aula


No andar dos estandes tem de tudo um pouco. Sal colorido, kits para fazer esferas comestíveis em casa, louças flutuantes, vinhos de todos os tipos. O formato é bem parecido com o Mesa SP.

Os jantares são um show à parte. No de ontem, o coquetel foi do El Bulli. Aquela linha nada é o que parece e, a surpresa, tudo saborosíssimo.


isso não é chocolate, é iogurte


isso não é biscoito doce de chocolate, é salgado, de azeitona


Vou tentar atualizar vocês, mas adianto que estou tipo aluna-de-escola-que-senta-na-primeira-fila. Pouco venho para a sala de imprensa e só chego no hotel de madrugada.

Aqui tem vídeos ao vivo do congresso. Vá lá, volte e vamos nos falando.

Por Roberta Malta às 11h12

26/01/2010

Madrid Fusión da platéia

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E tem gente que não entende como eles fizeram a revolução...


Por Roberta Malta às 17h45

25/01/2010

De Madri

Enquanto o Madrid Fusión não começa, eu, Kats e Ale batemos perna pela cidade.



A tarde ensolarada e o clima ameno pedem longas caminhadas urbanas. E entre uma tapa e uma rebaja, a gente bebe uma tacinha.


 

Por Roberta Malta às 19h24

21/01/2010

Andanças

Quando viajo, uma das coisas que mais gosto de fazer é andar pelas ruas. Também de entrar em mercados locais, visitar farmácias, comer em barraquinhas. E adoro ouvir conversa de turista brasileiro -- sim, estou ciente de que alguém ouve as minhas e morre de rir.

Amei quando a minha vizinha de mesa no Le Comptoir, em Paris, recebeu o prato. A senhora tinha lido o cardápio por bons 20 minutos e se surpreendeu com a chegada do pedido. Era um magret de pato e ela, inconsolável, dizia para o marido: "pela descrição eu podia jurar que era peixe".

Nessa mesma viagem, escutei outra conversa excelente de um pessoal sentado em frente ao Louvre. A moça falava: "olha, eu a-do-ro museu. Mas esse aqui... Francamente"!

Essa volta toda para dizer que eu quase não ando mais em São Paulo. Preguiça, comodidade, falta de tempo. Tudo isso ajuda. Mas preciso lembrar como é bom e me faz falta.

Outro dia, passei com o Kats e o Ale pela Augusta procurando novidades e paramos na Wondercakes. Uma fofura de loja! Não sei se ainda é tempo de bolinhos ou a moda passou. Mas a gente comeu três deliciosos: de Baileys, bicho do pé (o brigadeiro rosa de festas infantis) e limão siciliano. Nada daquela cobertura dura e opaca. Bolo molhadinho, macio, fresco, como deveriam ser todos.

 


As embalagens também são lindinhas. Pefeito para quem gosta de dar presentinhos comestíveis, como eu.

Depois disso, fiquei pensado na quantidade de coisas que devo estar perdendo por aí. Decidi caminhar mais. Nos meus últimos jantares com o Kike ele me levou para casa a pé.

 

 

Um dia eu quase fui atropelada, no outro o sapato me machucou, ontem a gente pegou chuva. De quebra, tava tudo fechado. Alguém tem o número de um taxi 24 horas, por favor?

 

Wondercakes

R. Augusta, 2542, Jd. Paulistano, São Paulo - SP

tel. 11 3063-1209

Por Roberta Malta às 16h15

18/01/2010

A boa safra de 1999

Quando comecei a fazer matérias sobre vinhos, ficava bem apreensiva. Tinha medo de escrever bobagem, de dar informação errada. Quantas vezes pedi socorro pro Luiz Horta. Eu mandava meus textos para ele dizer se estava ok. Sempre paciente o Luiz. Me dava a maior força, até me elogiava.

Aos poucos, percebi que gostava de entrevistar as pessoas do vinho. Eles, ao contrário do que muitos imaginam, são simples, generosos. Não agem como se a gente tivesse a obrigação de saber certas coisas, explicam tudo desde o princípio. Até o que, para mim, é meio óbvio eles fazem questão de ensinar nos mínimos detalhes. E eu, com o tempo, perdi a vergonha de perguntar o que não sei ou não entendo sobre o assunto.

Mas o insight mesmo só aconteceu quando conversei com o Julio López de Heredia, do Viña Tondonia. É um enólogo brilhante e disse que eu era uma das melhores repórteres com quem ele tinha falado no Brasil, porque as minhas perguntas eram diferentes (leia matéria aqui). Culpa da minha ignorância. Como não sei conversar sobre safras e lágrimas, me viro como posso. Só pode ser isso.

Depois das fotos, ele me chamou para beber um copo de vinho. Fui, claro. Era um tempranillo 1999, ano em que meu filho nasceu.

 

 

Pedi que ele me falasse sobre aquele vinho. Ele disse que era estruturado, de cores intensas, aromático, com a acidez ainda se equilibrando, mais álcool que o habitual e maior capacidade de envelhecimento. "Com o tempo ele só melhora, abre, amacia." E contou que 1999 foi um ano de muito equilíbrio na Rioja, região da Espanha em que atua. 

Entendi tudo, como nunca tinha acontecido antes. Bebi sem pressa, gota por gota.

Acabei a taça, guardei a caneta, o bloco e, antes de fechar a bolsa, olhei a foto do Tato na minha carteira. López de Heredia olhou pra mim, sorriu. E entendeu tudo.

 

  

 

Por Roberta Malta às 02h28

15/01/2010

Chocolate da infância

Adoro gente caprichosa. Eu até que sou para algumas (poucas) coisas. Fico especialmente deslumbrada com essas moças que fazem embrulhos em lojas. O papel fica lisinho, impecável, os laços são perfeitos.

Uma vez comprei uma torradeira para o chá de panela de uma amiga e pedi para presente. A vendedora falou: "mas o papel vem escrito Casas Bahia, tem problema"? Adoro essa história. Mas eu ia contar que um dia perguntei para uma moça onde ela tinha feito curso para empacotar bem daquele jeito. Ela disse que entrou para o emprego num Natal e aprendeu em dois dias, com a prática. Desde então eu tenho vontade de oferecer trabalho temporário num mês de dezembro, em uma casa como esta.

A Lena Gasparetto é assim. Fomos jantar no Zena e ela levou sacolinhas de chocolate para os amigos. Tudo lindo: as caixinhas, os celofanes, as fitas.

Entre os deliciosos bombons e trufas, o saquinho preferido: de krisps.

 

 

Eu sou da época do Kri, quem se lembra? Aquele chocolatinho crocante de embalagem vermelha e azul. Hmmm... Não entendo porque pararam de fabricar. A Roberta Sudbrack faz uma releitura incrível e serve com cafezinho de coador (outro hit da minha vida).

Bom, os saudosos, como eu, podem ligar para a Lena e encomendar o doce mais gostoso da infância. Tem que esperar cinco dias, mas vale bem a pena.

Lena Gasparetto

tel. 11 8389-4181

 

Por Roberta Malta às 17h53

13/01/2010

Das lembranças que eu trago na vida...

 

Princesa do vinho 2008, Sandra Boccia, eu, Luiz Patriani, Aguinaldo Záckia Albert e Flávia Silva 

 

Volkach, capital do vinho na Francônia, Alemanha

foto: Ricardo D'Angelo


Por Roberta Malta às 03h10

11/01/2010

Bottagallo - minha aposta do ano

O Bottagallo nem abriu e já é um sucesso.  Aliás, como tudo que a Cia. Tradicional (mesmo grupo do Pirajá, da Braz, do Astor) inventa. Incrível como eles sabem afinar cardápio, ambiente, conceito. Aqui, eles ainda contam com a parceria do Ipe Moraes, da Adega Santiago. Nas rodinhas de gastronomia paulistas não se fala em outra coisa.

O Deco Lima, comandante da cozinha, contou que o nome da casa não quer dizer absolutamente nada. É simplesmente sonoro. Surgiu de uma associação livre de palavras a partir de "O Gato de botas", que cobra direitos autorais milionários. As bottas são as pequenas porções da casa para petiscar e o codinome da Itália, país da bota.

Uma das coqueluches do Bottagallo é a Scarpetta (primeira ideia de nome pro restaurante, já registrado pelo Sérgio Arno). São pontas de pão grelhado que vêm com molhos diversos pra gente fazer aquilo que as mães proíbem: raspar o prato.

Incríveis os que provei.

 

de carne rústica (R$ 18), parecido com uma carne louca

 

 de queijo de cabra (R$ 21)

 

O bolonhesa (R$ 18), que a Marília pediu quando chegou, também tava qualquer coisa de bom.

Depois, virei para o garçom e disse para ele trazer o que quisesse. A esta altura já tinha me entregado a ele e ao vinho da casa, um Montepulciano bem gostoso servido em copo americano (R$ 59 a garrafa).

 

Pedrosa e o vinho com rótulo personalizado

 

Veio pastel de vento para rechear na hora com frios e picles (R$ 29).

 

 

Depois, comi a costelinha de porco na lenha (R$ 19) que vi passando numa bandeja e as melhores batatas rústicas do mundo (R$ 27).

 

Sequinhas, crocantes, com bacon e ovo estalado

 

O Kats tinha dito que o nhoque dourado (R$ 13 a R$ 35, dependendo do tamanho) era obrigatório. E é. Macio por dentro, com uma casquinha perfeita, tomates em cubinhos, ricota e rúcula.

 

 

Ainda roubei umas garfadinhas de polenta com carne moída (R$ 13 a R$ 34) e bisteca à fiorentina (R$ 98) da mesa do André. Demais!

Quando eu já estava me dando por vencida, a Paty falou que a Thaís comeu duas panna cottas (R$ 15) de sobremesa. Pedi a minha.

 

 

"Cre-cremo-cremo-cremogemá", cantei comendo, que nem criança. Tem um gosto diferente das que eu conheço, mas é deliciosa. Pedi a segunda.

Na minha mesa chegaram drinks bonitos e perfumados a noite inteira. Mas não tomei nenhum. Minto, bebi um limoncello (R$ 9,50) feito na casa pelo super hiper mixologista Márcio Silva. O mesmo que criou a carta do SubAstor, que ainda não conheço. Mora oficialmente em Londres, mas está aqui emprestado.

 

E ainda faz aniversário comigo!

 

Sensacional o Bottagallo. Um lugar para passar muitas e muitas noites. De serviço eficiente e amigável (procure o Pedrosa), ambiente lindo projetado pelo meu vizinho Carlos Motta, bebida e comida bacanérrimas.  E olha que eu não provei nem a metade do que eu queria.

Vá lá

(inaugura amanhã, 12/01)

Rua Jesuíno Arruda, 520, Itaim Bibi, São Paulo, SP

tel. 11 3078-2858

 

Por Roberta Malta às 19h27

08/01/2010

Árabe novo em São Paulo

Corro pra conhecer todo árabe que abre na cidade. Sou maluca por quase tudo na culinária desse povo. Meu preferido ever é o Tenda do Nilo, que vive cheiíssimo. No Rio, gosto do Amir, modinha eterna, mas sempre comi muito bem também no Arab. Lá, tem um pão incrível, feito na hora num forno que fica dentro do salão.

Por isso, quando o Kike me convidou para contar as novidades da viagem dele no Chez Nohad, topei na hora. Ele passou o réveillon em Paris, de cama. Foi intoxicado por vieiras assassinas no La Coupole, um ex-restaurante famoso na cidade luz. Ridículo. Um alerta para turistas desavisados que acham que qualquer comida parisiense é boa.

Mas me surpreendeu o árabe recém inaugurado. Para não fugir da dieta, comi uma berinjela recheada muito gostosa. Muito mesmo. Também foi só. Até o arroz com aletria, acompanhamento do prato, eu dispensei.

 

 

A chef de lá, Nohad, teve uma casa de comida árabe no Pelourinho, em Salvador, durante 12 anos. Contou que só fechou porque o lugar tá meio decadente e bem perigoso. Uma pena. Ela sempre gostou de panelas, mas aprendeu o ofício de cozinheira com o tio, nos Estados Unidos. Com a ajuda dela os dois restaurantes no interior americano viraram 12. Ok que a comida servida na terra do Tio Sam tá longe a ser uma referência no mundo da gastronomia, mas o tranco acho que se aprende em qualquer lugar.

Gostei da Nohad. Tem um jeito relaxado, um sorriso largo, que fazem falta em São Paulo. E parece que tá apostando alto no negócio. A casa é bem grande, com terraço, bar e espaço para eventos. Tomara que dê certo. Precisa, já não cabe mais ninguém na Tenda do Nilo!

Chez Nohad

Alameda Franca, 1304, Jardins, São Paulo, SP

tel. 11 2362-2114

Por Roberta Malta às 04h23

06/01/2010

Para comer com os olhos

Sexto dia de dieta. Resolvi dedicar o tempo reservado para os programas gastronômicos aos culturais. Se o corpo passa por privações necessárias, a alma continua carecendo de alimento.

Fui à Choque Cultural, galeria focada nas artes de rua, cotidianas. Já vi altas exposições lá, Tato sempre volta pra casa com um monte de posters e adesivos.

Logo na entrada, me deparei com um daqueles balcões de confeitaria antigos, arredondados, com docinhos de festa, bolos, cupcakes, pizzas, sushis.


 

É a coisa mais linda do mundo! Tudo feito de crochê pela Márcia Lancellotti. E está tudo à venda. A artista vai repondo como numa loja comum. Tudo bem que os preços são um pouco mais salgados do que os exemplares comestíveis, mas eles não correm o risco de estragar ou intoxicar alguém. E duram para sempre. Os docinhos custam R$ 24, cupcakes saem por R$ 40 e os bolos variam de R$ 180 a R$ 300.

 

 

E achei legal porque o trabalho é todo feito em cima de doces e bolos tradicionais, daqueles que dão vontade de comer. É o tipo de confeitaria que eu gosto. Morro de preguiça daquelas esculturas incríveis de pasta americana. Acho totalmente sem graça, parece plástico. Sinceramente, não aguça o meu apetite nem um pouco.

 

 

Tem torta de morango, rocambole, bolo de chocolate e até um enfeitado com Confete. Quem não se lembra das pastilhas coloridas que foram substituídas por M&M's?

A pizza (R$ 90 a fatia) é sensacional. Bem tranqueirona com ovo, bacon, tomate, cogumelo, azeitona preta.

 

 

O sushi (R$ 90 a R$ 120) também é demais. No estilo daqueles vendidos nos mercados da Liberdade, em bandejas pretas coberta com papel filme.

 

 

Taí. Foi a melhor forma de me deliciar com esse monte de guloseimas, sem sair da dieta. Sucesso!

 

Choque Cultural

Rua João Moura, 997, Pinheiros, São Paulo, SP

tel. 11 3061-4051

 

Por Roberta Malta às 18h02

04/01/2010

Chef delivery

Já devo ter falado aqui que um dos meus programas favoritos é comer em casa com amigos. Acho que porque gosto de farrinhas e outras opções nunca fizeram muito o meu estilo. Minha difícil relação com a cerveja sempre me afastou dos bares e tenho verdadeiro pavor de boates. Não sei nem me comportar num lugar desses!  

Mas em casa é outra coisa. Gosto de arrumar a sala, receber as pessoas, beber, conversar até tarde. E de rir, especialidade da homenageada deste fim de ano.

 

 

 

Quem chamou a Talitha assim foi o Kats, porque eu nunca vi homenageada cozinhar. Mas vá lá. A Talitha é chef do Sinhá, faz o melhor bolo (de chocolate branco!) do mundo e é incrível. Inteligente, engraçada, rápida. Bem como a gente gosta. Ela chegando foi a coisa mais fofa da vida: cheia de potes e uma mini cesta de piquenique com laço vermelho recheada de doces. Parecia saída de um conto de fadas.

Mas a comida não tinha nada de infantil, ao contrário, tava muito séria.

 

Rolinhos de ovo com aspargos, castanha e espinafre

 

Camarão com quinua

 

De sobremesa, tinha brownie com banana e cestinhas de creme com frutas vermelhas. Um jantar que começou as nove da noite e foi até as quatro e meia da matina, bem no finzinho do ano. A melhor maneira possível de encerrar as comilanças da década. E ainda com vinho, Kats, Ale e Kike. Amo!

Sinhá

Rua Antônio Bicudo, 25, Pinheiros, São Paulo, SP.

tel. 11 3081-4627

 

Por Roberta Malta às 18h56

30/12/2009

Quando o grito do prazer açoitar o ar

Esse ano foi mais de vinho branco do que de espumante, mais de caramelo, menos de chocolate. Mais de louro que manjericão, de camembert que de brie, de cachaça que vodka. De arroz de forno do que de risoto, mais alho que cebola. Mais de manteiga, menos de azeite. Mais de fanta do que de coca, de água em temperatura ambiente. De menos sorrisos e mais gargalhadas, menos conhecidos, mais amigos, menos festa, mais farra. De frases curtas, aspas enxutas. Mais de substantivo do que adjetivo, de fila que de roda.


 



Ano que vem eu quero ver mais a Lívia, quero beber menos, ouvir mais música, ir de novo para o Recife. Quero ir ao aniversário da vovó, tomar menos analgésico, comer o bolo da Talitha. Dormir a noite toda e acordar mais cedo. Ano que vem quero aprender uma coisa nova. Não quero ter cárie, nem roer a unha. Quero pintar o olho direito dos meus Darumas e o esquerdo dos que eu ganhar. Comer em bistrôs, andar a pé, pegar sol. Vestir casaco, jeans e óculos escuros.

Feliz ano novo pra gente!

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Roberta Malta às 00h29

Sobre o autor

Roberta Malta é jornalista de gastronomia e blogueira por vocação. Escreve na revista Prazeres da Mesa, faz roteiros de restaurantes para a Revista da Folha e colabora em outros veículos da área. Formou-se em gastronomia, estudou vinhos na ABS- SP, mas está em constante aprendizado e pretende dividir suas descobertas e dúvidas com todos que acessarem seu link.

Sobre o blog

O "Sopa de Letrinhas" é um observador bem humorado da gastronomia, com pitadas do dia-a-dia da autora. Serve também como agregador e mixer de pessoas. Tem um olhar empolgado, emocionado, frio, crítico, curioso sobre comidas, bebidas, novidades, livros, restaurantes ou um pouco de tudo. Divirta-se!

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